sexta-feira, 13 de maio de 2016

Conto da minha ordinária terceira vida (a mais pacata) - Parte I

Quando fui reparar, estava comendo um peixe coberto com asfalto empanado da Vivenda do Camarão. Arroz como aquele, eu faço melhor. Me garanto. No purê faltava algo, meio molenga, meio preguiçoso. Minha mulher mal encostou no prato, apesar de me chamar de resmungão por avaliar a obra. Eu comi tudo, ainda assim.

Despejando as bandejas, a gerente investiga:
- Não tava bom não?
- Um pouco duro o peixe, mas no geral tava sim. - não tive disposição para replicar os bodejos da mesa.
- Hummm... - notando ela que não foi das melhores refeições

Coitada, parecia gostar do que fazia. Sabia que não agradou. Não tinha culpa, mas tinha. Estariam os cozinheiros aplicando um golpe de Estado? Seria ela vítima de um complô? Qual a razão da insatisfação?

Nunca vou saber, mas ela me pareceu um técnico de futebol sendo fritado pelos seus atletas. 

De qualquer forma fica a questão: será que na próxima vez o peixe vai estar melhor?

Nunca vou saber.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Todo dia um 7 a 1 - Parte I

Entrou no avião para uma viagem longa. Só tinha vaga pro assento do meio. Não vai ser uma jornada muito fácil, pensou. Ao chegar ao assento, nota que lá está a mulher mais linda que já viu na vida. Sim, está sentada ao seu lado. Finalmente um pouco de sorte. No outro lugar está uma senhora grávida.

Cinco minutos após o aviso de permissão em desatar os cintos, chega o marido da grávida e implora que troque de lugar. Nega, mas a mulher linda lança um terrível olhar de reprovação. Então resolve aceitar a troca. Viaja entre um gordo imenso e uma idosa que carrega seu neto de 8 meses de idade para sua primeira viagem de avião.

8 horas de viagem.

Todo dia um 7 a 1.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Epitáfio XIV

Nunca revelou o prazer que sentia ao fazer provas de matemática com medo do preconceito que sofreria.

domingo, 22 de março de 2015

sábado, 21 de março de 2015

Epitáfio XII

Nunca entendeu porque sentiu uma vontade incontrolável de gargalhar ao assistir Laranja Mecânica e de espirrar ao ver o Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Epitáfio XI

Criou um doce chamado ‘travesseirinho’ que era composto por miolo de pão francês, manteiga sem sal e açúcar cristal.

quarta-feira, 18 de março de 2015